No Silêncio de uma Cidade (Fritz Lang, 1956)

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Candidato a Lang favorito, posto nobríssimo considerando a expressividade da filmografia e o número de obras-primas. A premissa de M – a caça a um maníaco acuado – reimaginada a partir da disputa por poder em uma grande instituição corporativa midiática que cobre o caso, com um twist de ponto de vista muito duro e cínico, como bem apontou Jonathan Rosenbaum (características marcantes dos últimos Langs na América). Concentra boa parte dos temas caros ao cineasta em uma narrativa extraordinariamente moderna, desde a impactante abertura pré-créditos, que remete à cena do chuveiro em Psicose (filmado alguns anos depois), até a fluída transição entre personagens (Andrews, Fleming, Mitchell, Sanders, Price, Lupino, Barrymore…) e gêneros (film noir, suspense jornalístico, thriller de serial-killer, drama moral…), e ainda pelas observações críticas sobre mídia de massa, controle e produção da informação e todos os desvios morais e truques nada íntegros dos jornalistas, que acabam transformando a corporação midiática em um ambiente mais degradante que as notícias tenebrosas veiculada por eles. A sequência com Andrews dialogando diretamente com o assassino através do seu programa de televisão, um embate olho a olho mediado pela câmera e pela tela do televisor, é de uma força impressionante, e um belo prenúncio do que Lang desenvolveria com um olhar ainda mais aprofundado em Os Mil Olhos do Dr. Mabuse, filme seminal para estudo da imagem contemporânea.

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